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By: Carol Moreno
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| Sunday, 29-May-2005 00:00 |
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Legalização do aborto. Direito ao nosso corpo
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Fuzarca Feminista
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Marcha Mundial das Mulheres
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Pela legalização do aborto
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Com palavras de ordem como "Essa hipocrisia gera hemorragia", algumas poucas dezenas de mulheres chamaram a atenção de quem passava pela Avenida Paulista na tarde do último sábado, aproveitando o dia típico de outono que contemplou São Paulo no feriado de Corpus Christi, depois de dias de chuva que castigaram a cidade em um tom quase bíblico.
Munidas de placas, faixas, cartazes, panfletos, latas e baldes de plástico, elas atraíram as atenções para o vão do MASP e para uma questão fundamental dos movimentos de mulheres no Brasil e no mundo: o direito das mulheres de decidir sobre o próprio corpo, um direito não contemplado pela lei que criminaliza mulheres que praticam o aborto.
Como a maioria das leis obsoletas e inspiradas em valores não-universais, a punição para quem a infringe também não é universal - quem tem condições [financeiras], pode quebrar a regra com conforte e a segurança de que não sofrerão conseqüências penais. Mas essas, todos sabemos, são minoria. A grande maioria das mulheres que se deparam com uma gravidez indesejada são obrigadas a procurar clínicas clandestinas ou praticar um aborto dentro da própria casa. O número de mulheres que morrem ou sofrem alguma seqüela em decorrência dessa prática insegura é alarmante, mas mais preocupante ainda é a negligência com a qual ele é tratado, pelo simples fato de que vivemos em uma sociedade patriarcal rodeada de valores opressores e perversos, como a idéia de que quem decide o futuro da mulher é o governo e a constituição, desenhada por homens que não acreditam que a mulher é capaz - ou digna - de decidir sobre a própria vida.
Hipocrisia em pensar que, só porque existe um papel dizendo que a mulher que abortar será presa, o aborto simplesmente não é praticado no Brasil.
Ignorância em pensar que, ao legalizar o aborto, ele será usado como método contraceptivo e todas as mulheres recorrerão a ele por sua própria irresponsabilidade ao ter relações sexuais [em alguns países onde o aborto foi legalizado, o número de aborto realizados não só não cresceu, como diminui].
Contradição em pensar que, ao abortar, comete-se um assassinato, enquanto centenas de milhares de crianças são postas no mundo sem a mínima condição de sobrevivência, à mercê de governos públicos ditados pelas decisões privadas do verdadeiros donos das nações - os endinheirados.
E, por que não dizer, machismo em pensar que a mulher não é digna de tanta responsabilidade.
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